Projeto presta assistência a mulheres vítimas de violência

Como forma de amparar as mulheres que sofreram violência doméstica, seja ela física, psicológica, moral, sexual ou patrimonial, e em alusão aos 15 anos de elaboração da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, a Cooperativa de Atendimento Pré-Hospitalar (Coaph) está oferecendo assistência psicológica e jurídica a suas cooperadas. Para a ação, a cooperativa mobilizou profissionais para o atendimento às vítimas: uma assistente social, uma psicóloga e uma advogada, que, segundo a Coaph, estarão disponíveis para receber, orientar, acompanhar e encaminhar todas as cooperadas que assim necessitarem. Os atendimentos são realizados tanto de modo presencial quanto virtual, a depender da necessidade da requerente.

A psicóloga Rebeca Rangel explica que a iniciativa surgiu, em fevereiro deste ano, como um serviço psicossocial, criado a partir da percepção da cooperativa de que a demanda por este tipo de atendimento era cada vez mais crescente. Ainda de acordo com ela, desde o início da pandemia, com base em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e em conversas com cooperados, houve um aumento de 60 a 70% de sintomas de doenças mentais, como ansiedade e depressão, por exemplo.

“Passamos a ver a necessidade de um olhar sobre as pessoas. À medida em que fomos realizando os acompanhamentos, percebemos uma frequência maior de relatos de violência doméstica. Além disso, outro fenômeno que observamos diz respeito ao número de casos e de denúncias. Enquanto aconteciam mais casos, menos denúncias eram registradas, muito por conta do período de lockdown, visto que aumentou a dificuldade para as mulheres saírem de casa e os agressores passavam mais tempo em suas residências”, pondera.

Atualmente a Coaph possui quase 20 mil cooperados e atua em seis cidades brasileiras: Fortaleza, Juazeiro do Norte, São Paulo, Salvador, Manaus e Recife. Rangel destaca ainda que, a priori, o atendimento pode acontecer com a presença de toda a equipe disponível. Já em um segundo momento, o acompanhamento tende a ser realizado de maneira individual, com cada profissional por vez. “Atuamos ainda em rede, com possibilidade de encaminhamento das mulheres atendidas para serviços externos”, complementa.

Expansão
Rebeca também revela que a perspectiva de crescimento está relacionada ao número de solicitações por parte das mulheres violentadas. “Não trabalhamos com um número fixo. A expansão do serviço vai de acordo com a demanda que fomos recebendo e com a necessidade das pessoas. Tão logo a procura aumente, vamos contratar mais profissionais para dar suporte às cooperadas. Por enquanto, registramos uma maior quantidade de buscas durante as lives que promovemos”, aponta.

Para a psicóloga, o aumento das solicitações por acolhimento depende da conscientização de cada vítima, uma vez que “cabe somente a ela perceber que precisa de ajuda, reconhecer que aquilo está acontecendo com ela”. Rangel também enfatiza que os atendimentos podem ser efetuados nas modalidades presencial e virtual, o que, na visão dela, pode facilitar no pedido de ajuda. “Houve um caso em que a mulher não podia ligar, pois o agressor estava do lado. Assim, ela foi atendida via mensagem”, relatou.

• Por Eudes Viana, sob a supervisão da editoria de Cidades

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