Ceni surpreende com Arrascaeta de falso-nove, e Cuca neutraliza com três zagueiros

Os dois treinadores apresentaram novidades na escalação e na estratégia. Melhor para o Galo.

Treinadores de futebol costumam dizer que vivem “jogo a jogo”. Cada duelo tem sua história, sua peculiaridade, sua estratégia. O que o campo mostrou em mais um clássico entre Atlético-MG e Flamengo, vencido pela equipe mineira por 2 a 1, foi que esse jogo foi vivido com intensidade por Cuca e Rogério Ceni.

Os dois treinadores surpreenderam na escalação e ainda mais na bola rolando, com estratégias inéditas na temporada.

 

Se deu certo ou não, aí é do jogo. A questão é que analisar é recortar em pedaços. Fazer picadinho mesmo. Ver o que deu ou o que não deu certo. Vamos ao que cada técnico planejou:

Ceni planejou Arrascaeta como falso-nove para suprir a ausência de Gérson

 

Por mais que a torcida peça a saída de Rogério Ceni, a missão de remontar o time sem um jogador tão importante como Gérson não é fácil. O técnico sinaliza que tentará preencher o buraco com Arrascaeta num novo papel, como falso-nove.

Com o Flamengo defendendo, ele era o mais avançado do time, e Pedro cobria o setor direito. Michael descia mais, quase que na linha de Filipe Luís. Quase, quase um 5-3-2, ao melhor estilo Eurocopa.

A brincadeira começava com a bola: Arrasca circulava o campo inteiro e buscava a bola de Arão e João Gomes, via o jogo de frente e distribuía ao ataque, seja de lado a lado com Michael e Isla (que davam amplitude), seja tabelando com Bruno Henrique e Pedro. Algo parecido com o que Gérson fazia.

Três zagueiros neutralizaram a movimentação de Arrascaeta

 

Foi a primeira vez que o Galo jogou com três zagueiros, que Cuca tanto usou entre 2003 e 2010, na temporada. Com Mariano e Arana nas alas, o sistema anulou por completo a intenção de Ceni com Arrascaeta como falso-nove.

Por um motivo simples: superioridade numérica. O Flamengo atacava com Michael e Isla abertos e Pedro e B. Henrique por dentro. O Galo defendia o centro com dois zagueiros, marcava a amplitude com Mariano e Arana e Réver sempre ficava livre para interceptar, cortar ou “limpar” uma jogada. Só no primeiro tempo foram quatro interceptações.

E o efeito em Arrascaeta foi brusco: com a zaga protegida, Alan não precisava cobrir atrás e marcou individualmente o uruguaio em todos os deslocamentos, evitando que um passe mais rápido ou em profundidade saísse. Efeito cascata: se o Flamengo atacasse com um a mais no centro, Alan teria que afundar e Arrasca ficaria mais solto em campo.

Trocas de Ceni não surtem efeito e fragilizam a defesa

 

Rogério Ceni vem sendo criticado pelas substituições que não produzem resultado. Ao levar Arão para a zaga, o técnico até leu certo: Arão poderia passar a bola mais rapidamente ao setor direito, sem esperar Arrascaeta buscar. Mais rapidez na circulação para quebrar a sobra. Só que o setor ficou desprotegido quando o time perdia a bola.

No primeiro gol, Rodrigo Caio sai da linha para interceptar a bola, mas deixa Zaracho dar o passe. Todo gol nasce de um erro que é também um mérito do adversário.

Já no segundo gol, Filipe Luís deixa o cruzamento sair e Arão não alcança.

Todos esses detalhes possivelmente serão esquecidos na panela de pressão que virou o Flamengo – e que o Atlético também vive com altos investimentos nesse ano. Mas para quem ama ver o jogo de forma mais lógica (e por consequência, calma), foi um jogão.

Fonte: https://ge.globo.com/

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